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Quando uma equipe alcança a maturidade - e quebra paradigmas

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Um dos desafios mais difíceis para um treinador de futebol é fazer sua equipe atingir o que dá para chamar de "maturidade futebolística". Isso significa, em outras palavras, conhecer e confiar na execução de um modelo de jogo, não se abalando com intempéries que venham a acontecer durante uma partida. Nesse sentido, o trabalho de Tite na seleção brasileira impressiona. Contra o Uruguai, em Montevideo, seu Brasil atingiu um patamar de maturidade que está no DNA de equipes vencedoras e muito difíceis de serem batidas. Sair perdendo logo cedo, após falha individual, na casa do tradicional adversário, exigiu dessa seleção algo inédito, que foi superado por meio de excelente postura anímica e confiança na execução de um modelo já padronizado. O erro de Marcelo, que resultou no gol de pênalti de Cavani, ofereceu ao Brasil o momento mais difícil da Era Tite. Foi o pior início de jogo possível para o escrete canarinho, enfrentando um adversário que, embora sem grande brilho técn...

Ofensividade, descontrole, transições: o histórico City x Mônaco

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Foto: Facebook Manchester City Manchester City e Mônaco protagonizaram um duelo histórico, nessa terça-feira, pela partida de ida das oitavas de final da Champions League. E, embora muitos atentem para a fragilidade defensiva das equipes, os fatores determinantes para o expressivo 5 a 3 residiram na qualidade técnica e mentalidade ofensiva dos rivais. Enquanto Pep Guardiola já é conhecido pela obsessão pela posse de bola e pela construção de jogadas , Leonardo Jardim faz ótimo trabalho na equipe que produziu incríveis 76 gols em 26 jogos no Campeonato Francês. Essa ofensividade esteve presente desde os primeiros minutos de jogo no Etihad Stadium. Com o Mônaco marcando em bloco alto, coube ao City o risco de buscar sair de trás sem "chutão", o que causou grandes problemas ao Barcelona na última semana, contra o PSG . Encontrando dificuldades em um primeiro momento, especialmente devido ao fraco jogo com os pés de Caballero, os Citizens encontraram a solução na reediç...

Avalanche parisiense

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Foto: Site PSG Unai Emery foi contratado pelo PSG com um objetivo bem claro: levar o clube às cabeças da Champions League. Soberano na França, com elenco estrelado e receita gigantesca, a equipe de Paris vem sofrendo eliminações precoces na principal competição do futebol europeu há alguns anos. E, se não encanta no Campeonato Francês da atual temporada, onde é 2º colocado, o PSG versão Emery mostrou todo seu potencial na abertura da fase eliminatória da Champions. Diante do poderoso Barcelona, algoz da temporada 2014/2015, a equipe francesa foi avassaladora. Dominante, não deixou os catalães imprimirem seu ritmo e encaminhou a classificação com um inapelável 4 a 0. A exemplo do Manchester City de Pep Guardiola, responsável pela outra derrota do Barça na atual edição da Champions , o PSG de Emery iniciou a partida marcando em bloco alto. A dificuldade catalã para sair da marcação pressão é notável, e nessa terça não foi diferente. Com Busquets encaixotado e Ter Stegen tendo p...

Com o brilho de Mané e a tradicional intensidade

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Foto: Facebook Liverpool FC Manter o nível de atuação durante toda temporada talvez seja a tarefa mais difícil para uma equipe de futebol. Na Premier League, onde as partidas possuem alta demanda física e por vezes assumem um caráter caótico, essa premissa se reforça. Nesse sentido, todas as equipes do Campeonato Inglês têm sofrido com quedas de desempenho e, recentemente, sem dúvida a mais notável foi a do Liverpool, de Jürgen Klopp, que em poucas semanas foi eliminado dos dois torneios eliminatórios da terra da Rainha e viu a esperança de título na Premier League se esvaecer. Foi diante desse contexto desfavorável, portanto, que os Reds  receberam o vice-líder Tottenham, nesse sábado, em Anfield. E, para superar o rival londrino e se recolocar na briga pela 2ª colocação do Campeonato Inglês, o Liverpool contou com dois elementos desequilibrantes, que estiveram ausentes em boa parte da sequência negativa de janeiro: Sadio Mané e intensidade. Convocado pela seleção de Sen...

"A Pirâmide Invertida", de Jonathan Wilson

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Com tradução de André Kfouri e lançamento pela Editora Grande Área, chegou recentemente às livrarias a versão brasileira de "A Pirâmide Invertida", do jornalista inglês Jonathan Wilson. Publicado originalmente em 2008, o livro se encarrega da árdua e nobre missão de contar a história das táticas, desde os primórdios do futebol no Reino Unido, ainda no século XIX, até a modernidade de Pep Guardiola e cia. Essa tarefa grandiloquente e arriscada de percorrer quase um século e meio de uma história composta por dezenas de países e centenas de personagens é muito bem sucedida pelo embasamento e capacidade de Wilson de encadear os fatos e conduzir o leitor pela evolução do esporte mais popular do mundo. Partindo da "pirâmide", ou 2-3-5 - o primeiro sistema organizado do futebol -, trilha-se um caminho em que diversos fatores, incluindo cultura e política, tiveram influência para que os esquemas se tornassem mais conservadores, com apogeu no 5-3-2, que representa a ...

As dificuldades do Borussia Dortmund de Thomas Tuchel

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Foto: Facebook Borussia Dortmund Ao mesmo tempo em que busca inovações para tornar sua equipe mais agressiva e controladora , Thomas Tuchel tem encontrado muitas dificuldades na condução do Borussia Dortmund. Apesar do 1º lugar do grupo na Champions League, desbancando o poderoso Real Madrid, os aurinegros ainda não acertaram o passo na Bundesliga. Nessa terça, com o empate em casa contra o Augsburg, a equipe chegou a três jogos sem vitória no Campeonato Alemão, o que contribuiu para aumentar ainda mais a distância do BVB para os líderes Bayern e Leipzig. As razões para a instabilidade Borussen  são várias, a começar pela perda de Mats Hummels e Ilkay Gündogan na janela de transferências do meio do ano. Remanescentes do vice-campeonato europeu de 2012/2013, o zagueiro e o meio-campista eram figuras centrais do Borussia. Suas reposições, na teoria Marc Bartra e Sebastian Rode, não têm entregado o mesmo que seus antecessores, dificultando o trabalho do Dortmund em todas as...

Baixíssima intensidade e padronização de comportamentos

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Foto: Jefferson Botega/Agência RBS Atlético-MG e Grêmio chegaram à final da Copa do Brasil por motivos diferentes. Enquanto os mineiros dependem muito de suas excelentes individualidades, que decidem jogos e mascaram a fragilidade coletiva da equipe de Marcelo Oliveira, os gaúchos possuem um padrão consolidado, legado do trabalho de Roger Machado, que Renato Portaluppi soube, com muitos méritos, aproveitar. Esses fatores ficaram evidentes no primeiro confronto da decisão, em que o tricolor gaúcho teve amplo domínio e, com autoridade, construiu os 3 a 1 que o deixam muito próximo da quebra do jejum de 15 anos sem títulos de grande expressão. Com setores distantes e baixíssima intensidade na marcação, o Atlético foi refém do jogo de posição do Grêmio no primeiro tempo. A saída de bola de bola dos comandados de Marcelo Oliveira era ineficiente devido ao distanciamento entre o quarteto ofensivo e o restante da equipe: não existia aproximação e movimentação para quebrar as linhas d...